sexta-feira, 28 de setembro de 2007

CRÍTICA DO FENTEP

ESPETÁCULO: FOI TARDE
MOSTRA ADULTO PALCO – DIA 21, TEATRO CÉSAR CAVA LONDRINA – PR
EM NOME DA INTELIGÊNCIA
Marici Salomão
Foi Tarde explicita no título o que o espetáculo contém de paródico. Mas dizer apenas isto seria dizer muito pouco a respeito da montagem deste grupo de Londrina, formado pelas Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina e a TOU Produções Artísticas. Muito mais do que paródia sobre a morte, o espetáculo é um exercício inteligente de sobreposição e distensão de planos narrativos que não subestimam a inteligência do espectador, convidando-o a “ler” a peça recorrendo a tarefas mentais específicas. Criação coletiva inspirada na peça teatral A Morta (1937), de Oswald de Andrade, mais depoimentos dos atores, enxertos de exéquias do catolicismo, além de reportagens em geral sobre o tema, Foi Tarde nasceu nos limites da universidade, em 2006, como espetáculo de formatura.É interessante notar como novas e bem executadas propostas contemporâneas – em anteposição ao teatro de resultado mais convencional (leia-se sob encadeamentos lógicos comuns à literatura dramática pura) – se fazem notar neste festival saídos de grupos formados nas universidades.A diretora do espetáculo, Thais D’Ambrozo, transformou seu trabalho de mestrado – que disseca o drama pelas vias da imagem a partir do teatro da morte de Tadeusz Kantor e de A Morta de Oswald de Andrade – em parte integrante da montagem. Sem dúvida, a peça se espraia na obra do encenador polonês Tadeusz Kantor, falecido na década de 90, a partir da análise do personagem e das situações-objeto. Mas vai bem além da tese, num movimento de percepção que é cada vez sentido mais como tendência entre grupos de teatro que uma peça requer elaboração criativa e técnica. Entre hospitais, necrotérios e circo de horrores, o público se delicia com um humor grotesco que funde em correntes de simultaneidade a palavra à imagem. Daí que um show de auditório bem conhecido é formado por concorrentes vestindo cabeças de látex, que remetem ao protagonista de O Grito (quadro de Münch), enquanto deparam com um cruel jogo de adivinhação usando o corpo de uma rotunda, e condenada ao abate, mulher-vaca. Trata-se de não–ações rolando no palco no intuito de que a imaginação do espectador as anime. Não deixa de ser neste festival mais um exemplo muito bem-sucedido (o outro é Era... Uma Vez?, de Campinas) de liga perfeita entre forma e conteúdo. Neste caso, a paralisia para a qual incorrem atores e situações cênicas representam mesmo o estado de inércia de um corpo morto.Em que pesem as dificuldades de platéias específicas de decodificarem, a partir de seu próprio repertório, o rolamento das imagens no palco, o cinismo com que o grupo de Londrina aborda o tema tece a estranheza e o humor necessários para que possa ser considerado um espetáculo bastante provocador.
...Fonte: Assessoria de Imprensa/FENTEPP

4 comentários:

Vinicius disse...

Tarde... queremos assistir o espetáculo aqui em São Paulo.

Abraço a todos, e, sucesso!

Janaina Brizolla disse...

sim sim logo estaremos por aíii....

laura disse...

janis vamos colocar textos de oswald?

Janaina Brizolla disse...

vamos sim...manda pra mim por email....